quinta-feira, 10 de junho de 2010

Como viver uma relação de amor com entrega, mas sem perder a individualidade

Vocês se conheceram, se apaixonaram e se envolveram de tal maneira que não sabem mais o que é de um e o que é do outro. A impressão é de que as vontades, as preferências e os desejos estão mais entrelaçados do que dedos em mãos dadas. Romântico? Mais ou menos. Chega um ponto em que você pensa: onde foi parar a minha identidade? Para a relação dar certo, um dos ingredientes que não pode faltar é a individualidade.

No início do namoro é natural abrir uma concessão aqui, ceder ali. Quando você se dá conta, cadê a sua personalidade? Anthara, usuária do Bolsa de Mulher, não vê razão para abrir mão da própria identidade por um amor. “Acho que em determinadas situações é preciso moderar e chegar num acordo satisfatório para ambos”, diz ela, lembrando que em uma relação é preciso ceder. “Mas cada um deve ter sua própria opinião, porque se não for assim, no futuro se arrepende do que fez ou deixou de fazer”. Anthara defende a conversa em busca do entendimento: “O ser amado deve respeitar o ponto de vista do outro para saber até onde deve chegar. Não deve jamais querer ser dono do outro“.Em um relacionamento deve haver espaço para tudo, principalmente, para sermos nós mesmas.

Quando cedemos demais corremos o risco de ouvir “você não é mais como antes”. Ou seja, mudar pelo outro pode fazer com que ele perca o interesse. A usuária do Bolsa Melissa Nascimento ressalta: “A partir do momento que você deixa de viver a sua vida para viver em função de outro, o relacionamento deixa de ser enriquecido e começa a virar rotina”. Ela acredita que, quando isso ocorre, o interesse se esvai. “O parceiro parte em busca de outra que lhe ofereça coisas novas. Em consequência, ficamos amarguradas, frustradas e com a sensação de ter perdido a identidade”, diz Melissa.Uma coisa é manter a individualidade, outra é não ceder em prol do relacionamento. Para Andressa Gerber, o assunto é delicado. “Exemplo: só porque você comprou um CD de uma banda que ele gosta para conhecer as músicas absolutamente não quer dizer que você não tem mais identidade”, diz ela, que adora compartilhar com o parceiro. “Se a gente procurar saber as preferências dele, que assuntos ele curte, vai dialogar melhor, agradar sem ser chata e ele vai te achar o máximo”, defende Andressa, para quem o caminhar do relacionamento é sempre um mistério.

Como achar o equilíbrio

Segundo a psicóloga Priscila Gaspar, o mais difícil em um relacionamento amoroso é atingir o equilíbrio entre a individualidade e a conjugalidade. “Ou seja, equilibrar o quanto somos nós mesmas e mantemos nossos interesses particulares e o quanto se vive junto, compartilhando e lutando pelos interesses do casal”, explica Priscila. Para preservar a identidade é preciso saber quais são seus próprios valores e manter atividades individuais. “Ter hobbies e manter grupos de amigos que não são comuns em vez de abrir mão de tudo para viver apenas a vida do casal”, afirma a psicóloga.

Invista na autoestima.”Pessoas inseguras ou que não sabem sobre si mesmas tendem a não ter opinião própria e, muitas vezes, seguir o parceiro apenas para agradar”, lembra Priscila, salientando que é preciso refletir sobre o quanto se partilha das vontades do outro e até que ponto se tolera abrir mão do que se deseja. “Não existe relacionamento sadio quando um anula seu próprio desejo em função do outro, tampouco quando o desejo do outro agride o ego”, afirma a psicóloga, adiantando que, em casos assim, a pessoa se fere ao atender o parceiro, podendo fazer cobranças mais tarde.

Cuidado com a fase da paixão.“A paixão é baseada muito mais em ilusões a respeito do parceiro do que em imagens reais”, explica Priscila Gaspar. As ilusões se devem a dois aspectos: a máscara que usamos para ocultar nossas imperfeições e a idealização do outro sobre nossa imagem. Depois que a paixão evanesce conseguimos enxergar melhor quem o outro é. “Assim, é natural que com o passar do tempo as imagens reais se formem e ocorra certa desilusão. Nesse momento é que as negociações sobre ceder e tolerar serão mais importantes. Com amor, é possível superar as diferenças. Mas se for apenas paixão, quando esta se esvai, o relacionamento tende ao fim”, conclui.

Fonte: via comercial

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